

Apesar da crise econômica global, a agricultura orgânica vem florescendo na Romênia. Em 2009, o setor agrícola era responsável por somente 5.4% do PIB romeno. Já em 2011 a porcentagem aumentou para 12.2%. O potencial de crescimento é promissor, especialmente quando o foco é o cultivo orgânico. Por isso, tanto o governo quanto os empreendedores autônomos decidiram apostar na prática.
A Romênia sofreu instabilidade econômica após o colapso do regime comunista, e por isso, até hoje, o setor agrícola tem um desempenho abaixo da sua capacidade. O país se tornou membro da União Europeia em 2007, após um árduo processo de adesão que durou dois anos. E até hoje, a maioria dos agricultores na Romênia são semi-sustentáveis. Sustentabilidade agrícola refere-se a habilidade de manter a produção com um nível mínimo de aquisições do exterior. Por essa razão, crises externas não afetam agricultores romenos drasticamente. Esse é, por sinal, um dos fatores que fazem da Romênia um ótimo lugar para o cultivo orgânico, já que práticas tradicionais de agricultura requerem mais recursos.
Até 2010, a ajuda financeira do governo para este tipo de cultivo era limitada e não havia nenhuma forma de apoio proveniente da União Européia. Já em 2011, produtores orgânicos certificados receberam pela primeira vez subsídios através do Programa Nacional de Desenvolvimento Rural (PNDR), que variam de €163/ha para as culturas de cereais para €393/ha para pomares e vinhas.
Em fevereiro desse ano, uma delegação do governo participou da Biofach, a maior feira mundial de comércio de alimentos orgânicos, e se surpreendeu com o potencial do setor para a economia do país. Adrian Radulescu, Secretário de Estado, afirmou ter mudado de opinião sobre essa prática ao observar os contratos feitos na feira. Além disso, há grandes promessas de futuros investimentos a serem feitos pelo governo romeno na área a partir de 2012.
Mas o investimento na agricultura orgânica não vem apenas do governo. Cada vez mais, empreendedores autônomos estão voltando a sua atenção para essa prática. Wil van Eijsden, agricultor holandês, diretor e dono da Agri+Cultura Transilvânia, começou seu negócio na Romênia em 2011, e decidiu optar pelo cultivo orgânico porque acredita no potencial contido na região: uma área com solos férteis e uma precipitação favorável. É por essa mesma razão que há três anos van Eijsden vem desenvolvendo um projeto que tem como objetivo educar agricultores sobre a conversão do cultivo tradicional para orgânico. Ele pretende construir um centro de treinamento que ensinará agricultores de pequeno porte a cultivar ervas organicamente. No momento, van Eijsden diz ainda precisar de investidores que acreditem no seu projeto, mas ele já sonha grande. “Eu quero que esse projeto seja um modelo para outros países,” diz ele.
Futuro promissor
A área cultivada ecologicamente na Romênia cresceu 15 vezes nos últimos dez anos e hoje equivale a 260.000 ha, de acordo com o Ministério da Agricultura. Em 2010, a Romênia atingiu um recorde de exportação, alcançando 100 milhões de euros, segundo Marian Cioceanu, presidente da Associação Bio-Romênia. E ainda há espaço para crescimento. O país tem uma capacidade de terras aráveis de aproximadamente 9.400.000 ha, dos quais aproximadamente 40% não são utilizados.
Atualmente, grande parte da produção orgânica na Romênia é primária. Isso significa que a demanda interna de produtos orgânicos processados tem que ser cumprida através de importações. Contudo, o surgimento contínuo de consumidores romenos capazes de arcar com o custo extra do produto orgânico tem incentivado empreendedores a investir no processamento de tais produtos.
Essa é a história da LaDORNA, uma marca orgânica de leite fundada em 1998. A marca, que pertence a companhia Superbrands, opera em sites de produção ao redor da Romênia, principalmente no norte do país. LaDORNA é considerada uma das marcas mais desenvolvidas no mercado de laticínios na Europa. Prova disso é o reconhecimento nacional e internacional que vem desfrutando. Em 2008, o seu valor já era estimado em 120 milhões de euros.
Fato é que há gente disposta a investir na prática orgânica. “O país tem a capacidade de, em dez a quinze anos, atingir o nível da Europa Ocidental,” afirma van Eijsden. Basta continuarmos semeando a agricultura orgânica que, sem dúvida, os frutos serão inestimáveis para o país e para o mundo todo.