

Computadores não podem funcionar sem um sistema operacional que administra as interações e comunicações entre o hardware e o software do computador. Dentro desse ambiente complexo, existe uma ordem que se estabelece porque cada aplicação é construída a partir do mesmo código fonte – instruções escritas em uma linguagem de programação - , e os programadores trabalham a partir desse código para criar novas aplicações, jogos e dispositivos.
Se por um lado, a Microsoft mantém uma forte aderência proprietária sobre o seu código fonte e mantém controle sobre os limites, expressões e uso do sistema. O sistema operacional Linux, por sua vez, é grátis e tem uma fonte aberta, o que significa que qualquer pessoa pode usar o seu código fonte. Sem taxas e barreiras de entrada, esse sistema aberto promove criatividade e experimentação. Como um subproduto dessas trocas, a cultura do Linux tem se tornado uma cultura em que as pessoas se sentem parte integrante dos processos criativos.
Na cultura ocidental, a maioria dos líderes se comporta como a Microsoft. Eles seguram o poder perto de si, dizendo aos outros o que podem e o que não podem fazer. Ao invés de engajar a criatividade alheia usando o mesmo código fonte – os princípios e valores da organização – eles desenham hierarquias rígidas, atribuindo tarefas. No entanto, a arte de ser um líder nos dias de hoje, é como o Linux, oferecendo o seu código fonte gratuitamente para que líderes o usem a fim de conquistar ordem sem necessariamente precisar controlar. O código é um grupo de princípios e práticas que explicam como gerir conversas significatvas: definindo intenções, criando espaços hospitalares, fazendo perguntas importantes, agregando inteligência coletiva, confiando na emergência, colhendo aprendizagem e movendo em direção a ação sábia.
Tal como Linux, o sistema operacional visto no contexto da arte de ser um moderador estimula compartilhar ideias no mundo todo. O que está emergindo e uma comunidade global vibrante de pessoas que estão descobrindo que a sabedoria que precisamos existe em cada um de nós, não só em qualquer um de nós – até mesmo o que chamamos de heróis.
Todos nós amamos um herói. Algo que mantem a nossa esperança que alguém em algum lugar sabe o que fazer e vai nos tirar dessa confusão. Se um herói entra na historia, nós nos encontramos livres da responsabilidade de resolver os nossos problemas. Nós queremos tanto heróis que nós os criamos do nada, sem que tenham realizado qualquer ato de bravura.
Nossas crenças alimentam a nossa confiança na liderança heroica: “Os líderes tem as respostas.” “Riscos altos requerem alto níveis de controle.” Quando nós acreditamos nisso, sucumbimos ao poder. Pois esperamos que nossos líderes ajam, presumindo que eles sabem o que eles estão fazendo. Mas nós estamos presos em uma terrível ilusão. Quando os problemas são complexos, não há uma simples resposta; nenhuma pessoa, não importa o quão brilhante, pode fazer com que as coisas melhorem.
Submeter-se à liderança heroica pode ser eficaz no momento; pode até fazer com que nos sintamos bem, mas presume que alguém esteja sob controle. No nosso mundo turbulento, as coisas que nós não podemos controlar – as coisas que ninguém pode controlar – podem mudar a nossa vida para sempre. Os sistemas altamente complexos de hoje em dia tem emergido ao longo do tempo através de milhares de ações locais pequenas, e eles não podem ser desembaraçados nem pelas visões mais ousadas dos nossos líderes mais heroicos.
Se queremos encontrar soluções para os nossos problemas mais desafiadores, nós precisamos mudar o nosso conceito de liderança eficaz. Precisamos deixar de lado a dependência aos nossos “líderes heróis” e convidar os “líderes facilitadores”. Líderes que agem como anfitriões, ou seja, são acolhedores, cuidadosos e respeitosos com aqueles com quem trabalham.
Muito se faz possível quando líderes dependem da criatividade e compromisso alheio. Esses líderes são testemunhas da capacidade das pessoas de se engajarem no trabalho, de colaborar e de se manter atento para a descoberta de novas soluções. Líderes aprendem a confiar no fato de que todos têm dons para oferecer e que a maioria das pessoas quer trabalhar em nome de algo maior que eles próprios. Em alguns casos, esses líderes servem como espelhos, para que pessoas possam ver as suas habilidades e o seus potenciais, algo que pode ter estado escondido debaixo de anos de negligência.
À medida que processos de diálogo se tornam o modo convencional das conversas, comunidades descobrem que elas têm novas habilidades. Elas podem examinar problemas profundamente, trocar pontos de vista diversos, e criar soluções robustas. “Líderes facilitadores”, e seus visitantes, se dispõem a solucionar problemas aparentemente indissolúveis e de grande porte e no final descobrem ser capazes de contorná-los. Talvez seja por isso que a arte de ser um facilitador no contexto de um sistema operacional que está mudando, está se espalhando com fluidez através de organizações e comunidades por todas as partes do mundo.
A autora Meg Wheatley e sua obra
Nesta era de problemas cada vez mais complexos e recursos escassos, podemos encontrar soluções significativas e duradouras para os desafios que enfrentamos hoje, como indivíduos, comunidades e nações?
Esta foi a pergunta que as autoras Meg Wheatley e Deborah Frieze tentaram responder no livro Walk Out Walk On: A Learning Journey into Communities Daring to Live the Future Now. A obra conduz o leitor a uma jornada de aprendizagem por sete comunidades ao redor do mundo para conhecer pessoas que tenham saído de crenças limitantes e hipóteses, e caminhado sobre a criação de comunidades saudáveis ??e resistentes. “Do México à Índia, de Columbus, Ohio para Joanesburgo, África do Sul, descobrimos que cada comunidade tem a ingenuidade, inteligência e criatividade para resolver os seus problemas aparentemente insolúveis.”, concluiu Wheatley.
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