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    Cresce o incentivo a produção de soja responsável no Brasil

    Cresce o incentivo a produção de soja responsável no Brasil

    Daniela Mariuzzo, Gerente de Responsabilidade Social do Rabobank Brasil: “O produtor tem que enxergar os benefícios de mudar”

    Segundo a Análise Estratégica para Produção de Soja Responsável feita pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE), nos últimos dez anos, o Brasil – 2º maior produtor e exportador de soja, tendo exportado 21.241.000 toneladas em 2011 – aumentou a sua produção em 82%. Esse crescimento se deu devido a dois fatores: ganhos de produtividade e expansão da área plantada. Porém, grande parte do aumento não foi obtida de forma responsável.

     

    A União Européia vem exigindo, cada vez mais, que produtos importados sejam produzidos de forma sustentável. Em dezembro de 2011, empresas holandesas de varejo, comércio e indústria e ONGs, como WWF, acopladas à Iniciativa de Comércio Sustentável da Holanda (IDH), decidiram investir 7 milhões de euros para garantir uma produção de soja 100% sustentável até 2015. A Holanda é o segundo país que mais importa soja do Brasil. Portanto, a mudança no modelo de cultivo desponta como uma necessidade para o setor agrícola brasileiro.

     

    O estudo entrevistou produtores rurais, órgãos públicos e ONGs, nos estados do Mato Grosso, Paraná, e zonas de expansão no Brasil. E como resultado mostrou que os maiores problemas encontrados na produção de soja brasileira são: o pouco uso de técnicas diversificadas de boas práticas agrícolas; a falta de informação dada ao produtor sobre sistemas de certificação e critérios socioambientais; e a ineficiência de órgãos públicos responsáveis pela regularização fundiária e ambiental.

     

    Ainda assim, cada país e região possuem suas características próprias na área econômica, política, ambiental, social e jurídica, as quais devem ser previamente conhecidas e respeitadas. O importante é manter parcerias, melhorar a comunicação, e investir na capacitação dos produtores, principalmente aqueles de pequeno e médio porte que não tem acesso adequado à informação, concluiu o estudo. Daniela Mariuzzo, Gerente de Responsabilidade Social do Rabobank Brasil, comenta: “O produtor tem que enxergar os benefícios de mudar, pois somente assim ele vai investir seu tempo e dinheiro nestas modificações.”.

     

    Programas de Incentivo

     

    A Associação das Indústrias Brasileiras de óleos Vegetais (ABIOVE) vem desenvolvendo dois projetos direcionados a produção de soja responsável: a Moratória da Soja e a Soja Plus. A Moratória da Soja lida com a conciliação do desenvolvimento econômico e da preservação do Bioma Amazônia. O Soja Plus, instituído em 2010, é um projeto de educação ao produtor, que em 2011, forneceu materiais didáticos e realizou oficinas de campo e diversos cursos para 150.000 produtores do Mato Grosso.

     

    No momento, a Round Table on Responsible Soy Association Atividades (RTRS) – Mesa Redonda da Soja Responsável – é a única certificação de soja em que os critérios socioambientais de produção foram definidos por produtores, indústria e sociedade civil. Hoje, o Brasil, a Argentina e o Paraguai têm quase 140 mil hectares já certificados sob os critérios da RTRS. A partir de 2012, o governo holandês e o IDH se comprometeram a investir na produção de soja 100% sustentável na América do Sul. Cassio Franco Moreira, coordenador do Programa Agricultura do WWF-Brasil, explica: “Iniciativas como esta são vitais nessa fase inicial, pois ajudarão [o produtor] em sua adequação técnica às diretrizes da RTRS, o que resultará em ganhos de eficiência e possível redução nos custos de produção”.

     

    Fabio Trigueirinho, secretário geral da ABIOVE, diz: “Agora, os aspectos ambientais são parte integrante da nova agenda comercial.” Para manterem-se competitivos, produtores terão que aderir a critérios socioambientais.