Jovens inventores recriam produtos caros por preços baixos

25/03/2011

Alunos reduzem custos de produção e inovam com soluções baratas em suas invenções.

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Jovens inventores recriam produtos caros por preços baixos
Inventos incluem sistema de alerta de deslizamentos de terra, uma geladeira portátil movida a energia solar, um robô faxineiro e um desfribilador automático

Um sistema de alerta de deslizamentos de terra, uma geladeira portátil movida a energia solar, um robô faxineiro e um desfribilador automático. Os produtos listados já existem e são comercializados por grandes empresas. A novidade, porém, é que eles foram adaptados por jovens inventores, que criaram produtos alternativos com as mesmas funções, a custos muito reduzidos.

“Existem soluções mirabolantes no mercado, que o bolso do brasileiro não permite o acesso. Os meninos estão agindo como os chineses e reinventando os produtos com coisas novas”, explica a coordenadora da Febrace – Feira Brasileira de Ciência e Engenharia que expôs os projetos –, Roseli de Deus Lopes. “Um grupo de alunos criou um robô que limpa o chão, que inclusive é fabricado pela LG. O diferencial é que eles conseguiram baratear a tecnologia”.

Para isso, os alunos da Escola Estadual Souza Naves, de Rolândia (PR), reutilizaram materiais de computadores e pratos de xaxim para fazer o robô. Trata-se de um disco que desliza sob o chão, sugando partículas de sujeira. Devido a sensores, ele tem a capacidade de desviar dos móveis. Nas lojas o equipamento custa cerca de R$ 6.000. O robô alternativo fica por R$ 90.

Apesar da economia, a coordenadora da feira destaca que o objetivo do evento não é o produto finalizado. “Queremos fomentar uma prática pedagógica inovadora, com os alunos propondo pesquisas, lendo, aprendendo e articulando todas as disciplinas da escola”, avalia.

Alternativas baratas


Outro caso de tecnologia útil e barata é um sistema para alertar moradores de encostas sobre deslizamentos de terra. Inventado pelo estudante Isaias Campos Júnior, que está no terceiro ano do ensino médio do Colégio Estadual Semiramis, de Ubatuba (SP), o sistema custaria R$ 65 para o poder público.

Trata-se de um pêndulo depositado dentro do solo. Ele se move e aciona uma sirene quando acontecem tremores de terra imperceptíveis para os moradores da região, mas que precedem os deslizamentos.

“Os solos do litoral são compostos por uma camada de rocha e em cima terra. Quando chove muito a água não infiltra pela rocha, encharca o solo e acontecem os deslizamentos”, explica Campos. “Eles provocam tremores de terra que vão aumentando até o desmoronamento. Com o sistema poderíamos prever os riscos ainda no início”. O jovem pretende apresentar a ideia para a prefeitura de Ubatuba.

No interior, as alunas da Escola Técnica de Limeira (SP) desenvolveram uma geladeira portátil movida a energia solar, que pode ser levada para a praia. Por substituir o silício das placas solares por um material semelhante chamado gratzel, as meninas finalizaram o projeto com o custo de R$ 400. No mercado, o produto custa cerca de R$ 1.200.

No Rio de Janeiro (RJ), estudantes do Colégio de Aplicação Emmanuel Leontsinis desenvolveram um desfibrilador automático que identifica se há arritmia cardíaca e dispara uma corrente elétrica para normalizar os batimentos. O produto original custa R$ 16 mil, mas o desenvolvido pelos estudantes sai por R$ 700. A ideia é democratizar o aparelho e evitar 95% das 300 mil mortes anuais causadas por arritmias fortes.

(Fonte: Sarah Fernandes; Portal Aprendiz).

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