

Foi lançada ontem (18), no SESC Consolação, a nova edição do Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município (IRBEM) realizada em conjunto com o Programa Cidades Sustentáveis. A pesquisa abordou 25 temas que os moradores da capital paulista consideram importantes e avaliou 169 aspectos, revelando o nível de insatisfação dos paulistanos em relação à qualidade de vida e bem-estar na cidade. Também foi apresentado o Quadro da Desigualdade em São Paulo, uma análise comparativa dos indicadores por subprefeituras e distritos da cidade.
Entre 25 de novembro e 12 de dezembro do ano passado foram realizadas 1512 entrevistas no município de São Paulo. Os aspectos e temas considerados receberam uma nota de 0 a 10. Os resultados da pesquisa mostram uma insatisfação geral, consistente e homogênea da população. Somente seis dos 25 temas abordados receberam uma nota de satisfação acima da média de 5,5. A maior nota atingida foi a de relações humanas (6,8), a menor foi a de transparência e participação política (3,5).
A boa notícia é que a pesquisa servirá como base para planos de melhorias na cidade. A partir dos resultados, encarregados do governo poderão estabelecer metas mais realistas. “Indicadores tradicionais não são mais suficientes,” comenta Oded Grajew, coordenador-geral da secretaria-executiva da Rede Nossa São Paulo. “O IRBEM oferece um processo participativo e não subjetivo.”, complementa.
Cidades Sustentáveis
O Programa Cidades Sustentáveis, criado em setembro de 2011, tem como objetivo mobilizar a sociedade civil e o poder público para uma vida em São Paulo mais sustentável a partir de uma agenda política baseada nos indicadores exibidos.
O programa está aproveitando as eleições municipais de 2012 para colocar o propósito na agenda da sociedade, dos partidos políticos e dos candidatos. É por isso que ontem, pré-candidatos a prefeitura da cidade compareceram ao lançamento, dando sua opinião sobre o que tem que ser feito no futuro.
Gabriel Chalita, candidato do PMDB, ressaltou que se por um lado, São Paulo pode ser comparado com Nova Iorque e Londres, é vergonhoso que ainda existam áreas periféricas negligenciadas por todos – inclusive o governo. Maurício Costa, presidente do diretório municipal da PSOL, sugere duas possibilidades: “se adaptar ou tomar iniciativas concretas,” no qual ele favorece a segunda opção. Diante dessa situação é importante se comprometer, planejar. Segundo Netinho de Paulo, candidato do PC do B, é preciso fazer a população ouvir e participar nos debates. Ou seja, há muito para ser mudado.
Tanto o IRBEM quanto o Programa Cidades Sustentáveis representam passos em direção a uma São Paulo melhor. A conclusão do debate é que para conquistar melhorias significativas nos temas avaliados é necessário reformar o método de comunicação e colaboração entre o governo e o cidadão. Mas antes de tudo foi preciso saber de onde estávamos partindo. Como disse Grajew: “Quem não conhece, não tem condição de mudar. Agora que São Paulo sabe, São Paulo pode se transformar", finalizou.