

Mesmo com a suspensão da lei que bania o uso de sacolas plásticas descartáveis no varejo em São Paulo, a Associação Paulista de Supermercados (APAS) manterá o seu acordo de eliminar o uso do material nos grandes supermercados da cidade. Através da campanha ‘Vamos Tirar o Planeta do Sufoco’ os supermercados paulistas substituirão as embalagens descartáveis por opções mais ecológicas, a partir de 25 de janeiro de 2012.
A lei, que deveria ter entrado em vigor no dia 1º de janeiro de 2012, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo a pedido do Sindicato da Indústria de Material Plástico. Mas a prefeitura assegura que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal para fazer valer a lei. Enquanto isso, iniciativas privadas como a campanha da APAS garantem uma caminhada firme em direção a soluções mais eco-eficientes.
A campanha que espera, no futuro, a adesão de todos os supermercados dos 645 municípios do Estado de São Paulo, trabalha independentemente da lei. Todos os associados da APAS participam, puxados pelas três grandes redes (Pão de Açúcar, Carrefour e Walmart). E a estimativa é de que 15 mil pessoas estejam envolvidas diretamente com a campanha.
João Sanzovo, diretor de sustentabilidade da APAS, comenta: “Todo o mote da campanha se fundamenta na conscientização da população e dos empresários do varejo no sentido de substituir as sacolas descartáveis por reutilizáveis.” A associação está desenvolvendo materiais que as lojas poderão reproduzir para comunicar a iniciativa aos seus clientes.
Mudança de hábito
De acordo com o estudo divulgado pela Agência Ambiental Britânica, uma eco-bag teria de ser usada 100 vezes para compensar a sua produção. Já uma sacola plástica só precisaria ser usada 5 vezes. A Análise de Ciclo de Vida (ACV), feita pela Fundação Espaço Eco, explica que a ecoeficiência depende muito do volume de cada compra e da frequência com que o consumidor vai ao supermercado.
É preciso usar as eco-bags conscientemente. É por essa razão que é importante educar o consumidor, como propõe Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente.
A iniciativa de banir o uso de sacolas plásticas descartáveis é um grande passo em direção a um futuro mais eco-sustentável e consciente. Sem as sacolas gratuitas, o consumidor será forçado a repensar o seu comportamento e as suas necessidades. Cada um terá que optar por uma nova forma de transportar os itens comprados a casa. É por isso que a iniciativa de banir as sacolas deve vir com educação e conscientização do consumidor.
Pioneirismo
São Francisco foi a primeira cidade a banir o uso de sacolas plásticas descartáveis em supermercados em 2007. Um ano depois de a lei ter entrado em vigor, um estudo feito pela prefeitura, indicou que a cidade estava economizando cerca de 5 milhões de sacolas plásticas por mês.
A pesquisa também mostrou um crescimento na produção de sacolas plásticas mais firmes. Robert Bateman, presidente da Roplast Industries, empresa produtora de sacolas plásticas que fornece para toda a região da Califórnia, comentou em 2008: “As nossas sacolas aguentam cinco ou seis vezes mais do que uma sacola normal. Elas são reusáveis e podem mudar dramaticamente a quantidade de plástico usada.”
Desde a instituição da lei, a poluição causada pelo descarte indevido de sacos plásticos diminuiu em 18%.